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Negócios & Transações

M&A Connect: Como realizar o processo de integração de empresas?

Especialistas do Grupo GPS, Cosmos Advisors e Crescera Capital discutem cultura organizacional, sinergias e profissionalização das empresas adquiridas

Encerrando a manhã de debates do M&A Connect, evento que reúne os principais nomes do cenário de M&A brasileiro para um dia de discussões e networking, João Paulo Lipai, Managing Director da Cosmos Advisors, mediou o painel “Post Merger Integration: Cuidados, Obstáculos e Lições Aprendidas”.

A discussão contou com a participação de Karla Maranho, Diretora de M&A do Grupo GPS, Pablo Almeida, Managing Director da Cosmos Advisors, e Gustavo Colasuonno, sócio de Private Equity da Crescera Capital.

Lipai iniciou o painel destacando que a principal questão em debate seria os desafios da integração no pós-M&A, abordando variáveis como cultura organizacional, sistemas, finanças, sinergias e as diferentes abordagens das empresas diante dessas questões. Em seguida, provocou a discussão sobre a existência de grandes diferenças no processo de integração dependendo do setor da empresa adquirida.

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Maranho foi a primeira a se manifestar, explicando que a principal variável nesse processo não é necessariamente o segmento de atuação, mas sim o nível de profissionalização da empresa adquirida, o que pode influenciar significativamente a complexidade da integração.

“Comparando segmentos, os desafios são os mesmos. O que define a dificuldade para nós é o nível de profissionalização. Empresas familiares, por exemplo, costumam ter uma cultura organizacional muito forte, mas não possuem sistemas bem estruturados. Já multinacionais contam com processos e sistemas bem definidos, o que facilita a integração operacional, mas, em compensação, há um choque cultural com o GPS, por exemplo. Essa diferença cultural é o que mais gera desafios no processo de integração.”

Colasuonno concordou com Maranho e acrescentou que a existência de um time de integração estruturado faz toda a diferença no sucesso da fusão. Segundo ele, empresas que realizam múltiplas aquisições conseguem criar uma equipe especializada nesse processo, o que acelera e facilita a adaptação.

“Acho que a Karla trouxe um ponto essencial. Empresas de segmentos diferentes têm particularidades, mas, independentemente do setor, o que realmente define a integração é a maturidade da empresa adquirida. Empresas familiares pequenas, por exemplo, enfrentam dificuldades para se encaixar em uma estrutura maior, porque muitas vezes um único profissional é responsável por várias áreas. Como integrar essa realidade com a de uma empresa grande, onde há uma equipe para cada função? Um comprador serial, que faz aquisições recorrentes, tem a vantagem de estruturar um time de integração. Com essa equipe multidisciplinar, que tem autonomia para tomar decisões e flexibilidade para se adaptar aos desafios que surgem, a empresa cria um modelo padrão de integração que funciona para diferentes aquisições. Isso faz toda a diferença.”

Almeida trouxe um ponto complementar, destacando o desafio de seguir um plano de negócios estruturado  enquanto se lida com imprevistos que surgem no dia a dia da operação.

“Nem todas as empresas têm um time dedicado à integração, o que traz dois grandes desafios. O primeiro é garantir fidelidade ao business plan e às sinergias esperadas na aquisição. O segundo é que, no dia a dia, começam a surgir dificuldades que não estavam previstas. Um exemplo comum são aquisições parciais, em que depois há a necessidade de saída de um sócio. Quando a equipe muda, surgem problemas. O desafio está em reacomodar esses fatores após a aquisição, sem perder de vista o plano original e, ao mesmo tempo, conseguindo integrar as pessoas da empresa adquirida.”

Maranho aproveitou para compartilhar a experiência do Grupo GPS no processo de integração e como ele se inicia logo após a aprovação da aquisição.

“Antes mesmo da compra ser concretizada, já planejamos a integração. Assim que o CADE aprova a transação, iniciamos o processo. Estruturamos quem será responsável por absorver cada área. Por exemplo, se adquirimos uma empresa com forte atuação na Bahia, o diretor da região já começa a integração operacional. A GPS levou alguns anos para estruturar um time de integração, mas hoje temos especialistas em diversas áreas. Dependendo do segmento da empresa adquirida, dividimos as responsabilidades entre os membros da equipe. Assim que a aprovação sai, já compartilhamos todas as instruções, regras e processos para garantir uma transição estruturada. E esse aprendizado é contínuo: a cada nova aquisição, entendemos melhor o que funciona e o que não funciona. Estamos sempre nos preparando para a próxima.”